“Tem que haver um jeito mais fácil de emagrecer”

Esse é Jorge Martins, sócio da Paleo in Box. Ele já perdeu 55kg seguindo a Linha Paleo low carb. E nos conta um pouco do processo:

“Você é um exemplo! Que força de vontade!”

Eu ouço muito – muito MESMO – uma quantidade grande de congratulações por ter conseguido perder tanto peso sem cirurgia.

As frases sempre são variações de “Jorge, vc perdeu muito peso! Essa tal de páleo deve ser uma dieta mega restritiva. Você é um exemplo. Que força de vontade!’

Esse tipo de comentário me deixa um tanto constrangido.
Porque, bom, é óbvio que é necessário ter um pouco de força de vontade para atingir qualquer objetivo na vida.

Mas sobretudo porque, para mim, a verdadeira pergunta não é “o que a gente faz pra emagrecer quase 60kg?”
De certo modo, a idéia de montar a Páleo in Box foi inteiramente baseada em ajudar a divulgar os mecanismos do emagrecimento.

Mas a pergunta que efetivamente mudou minha vida foi outra: “como foi que eu consegui atingir 180kg?”.
Só quando compreendi os processos que me levaram a engordar tanto foi que eu comecei a entender como poderia emagrecer.

Como é possível chegar a 180kg?

Bom, vamos lá ao tutorial. Seguindo bem direitinho essas dicas, não tem erro: você vai conseguir ganhar muitos quilos a mais. De maneira bem insidiosa, ameaçando sua saúde e destruindo sua qualidade de vida:

1º – Não coma vegetais

Essa é básica. Odeie vegetais.
Faça cara feia quando vir um vegetal no prato.
Tenha um orgulho enorme de seu paladar infantil e coma o máximo de refeições industrializadas que você puder.
No café da manhã, tome leite com achocolatado, acompanhado de pão.
Aliás, coma pão sempre que possível.
Faça pratos baseados em farináceos e cereais integrais – quiches, empadões, tortas salgadas.

Vai por mim: você vai ganhar um monte de peso.

2º – Use a comida como lastro emocional

É uma dica mais avançada, mas com algum treino você consegue.
Se as coisas estão mal, você come para compensar.
Usando sempre, obviamente, a desculpa do “eu mereço”.
Se as coisas vão bem, você come pra comemorar.
Observe, sagaz leitor, que a desculpa do “eu mereço” também pode ser utilizada nesse contexto aqui.
Enfim: comida se torna um contrapeso emocional.

3º – Adote o lema “I don’t fucking care”.

Em bom português, “tô pouco me fodendo”. Não ligue.
Deixe correr solto.
Superfunciona.
Fazendo tudo certinho, e ainda fumando e bebendo bastante, você consegue ficar desse jeitinho que você vê aí na foto. Nas palavras pouco elogiosas que ouvi de algumas pessoas de minha família, eu era “uma bomba-relógio”

Como começar uma dieta?

Depois de uma série de reviravoltas em minha vida, decidi iniciar uma dieta.

Lembro perfeitamente de chegar ao mercado, para fazer compras e iniciar a dieta do jeito certo, e ter uma dúvida muito comum: “manteiga ou margarina?”

Eu, assim como a maior parte das pessoas, não fazia a menor ideia sobre o que deveria comer.

Deveria continuar comendo pão, né?
Mas agora, torradinhas integrais. Provavelmente.
E leite desnatado, certo? E tudo light, diet… Ou não?
Por onde começar?

Eu realmente estava querendo fazer as coisas do jeito certo.

Passei um mês comendo basicamente grãos integrais. Tudo sem gordura.
Como manda o figurino das dietas tradicionais, dessas que todo mundo faz.
Tudo certinho.
E perdi 1,5kg.

Em 30 dias de muita, MUITA fome, um desespero surdo ecoando dentro da mente e uma vontadezinha de morrer que não passava.

Daí pensei comigo mesmo: “tem que haver um jeito mais fácil de emagrecer”.
Ou mais efetivo.
Perdendo um quilo por mês, eu levaria ANOS para chegar num nível de obesidade menos arriscado.

Aí eu descobri o blog desse cara aqui, ó: doutor José Carlos Souto.

Um urologista do Rio Grande do Sul que começou a se interessar por nutrição e começou a divulgar informações atualizadas em seu blog. Li o blog dele INTEGRALMENTE. E algumas coisas que ele disse lá me fizeram dar uma chance a essa dieta maluca (estou parafraseando textos complexos de lá, ok?):

1 – Você não tem culpa.

Compreendi que o consumo de carboidratos refinados e produtos industrializados sequestrava minha capacidade de julgamento, de modo com que fosse extremamente difícil controlar a compulsão alimentar. A gordura corporal, portanto, não era um “castigo” porque eu, pobre pecador, sou guloso demais ou preguiçoso demais. É parte da doença ter um apetite exagerado e não conseguir ter energia para me exercitar. Não era uma falha moral: eu podia parar de me sentir culpado.

Não é fantástico?

 

2 – Não precisa passar fome

Uma proposta de dieta que permite que você NÃO PASSE FOME é auto-explicativa.

 

3 – É possível

Não, até onde eu me recordo ninguém tinha coragem de me dizer “é impossível emagrecer esse tanto que você precisa”. Mas ouvia com alguma frequência coisas como “faz uma bariátrica, rapaz…”, “pra que tentar fazer dieta, tão mais prático fazer uma cirurgia”.

Meu medo histórico de médicos me paralizava. Souto foi o primeiro a dizer “é possível”. Daí eu comecei.

Li UM MONTE DE LIVROS indicados no blog.
Sobretudo esse daí, do Gary Taubes. Um clássico.

Se não quiser ler o restante deste blog e preferir sair correndo pra comprar esse livro, eu super recomendo.
Tudo está nele.

Mas não me limitei a isso:

Visitei sites internacionais e nacionais.
Lia sobre a dieta diariamente, em todos os idiomas que conseguisse.
Estudei como um louco.

Encontrei um monte de informações conflitantes, confusas, desconexas.
Tive de relembrar um monte de questões de bioquimíca e biologia que eu havia aprendido no ensino médio.

Mas a cada passo dado, eu me certificava mais e mais de que ERA POSSÍVEL.

 

“Comer desse jeito vai ME MATAR”

“Mas como assim é pra comer gordura? Como é isso de ‘coma até ficar saciado? Essa dieta vai me MATAR”.

Eu lembro de ter pensado isso.
Algumas vezes.

E lembro também de pensar com uma certa tristeza: “bom, de um modo ou de outro, eu estou condenado. Morrer fazendo essa dieta ou não fazendo vai dar no mesmo, no final das contas”.

E comecei.

No princípio, me propus a realizar caminhadas de meia hora por dia.
Na primeira semana, não consegui caminhar sequer 15 minutos.

Mas os resultados foram rápidos.

Minha pele melhorou SENSIVELMENTE.
Meu refluxo desapareceu.
Voltei a conseguir dormir uma noite inteira sem interrupções.
Passei a ter níveis de energia e disposição, ainda gordo, que eu nunca suspeitei serem possíveis.

Em 6 meses, perdi 30 quilos.
Ao longo de cerca de um ano, perdi quase 50.

No total, eliminei cerca de 55kg.

Ganhei alguma massa magra no processo.

Ainda tenho peso pra perder? Sim.
Tenho excesso de pele, e provavelmente nunca vou ser o cara sarado com 10% de gordura corporal, tirando fotos sem camisa e vendendo possibilidades de emagrecimento milagrosas.

Mas minha vida foi salva.

 

A Páleo in Box

Em 2015, meio que ainda na fase de empolgação por colher tantos benefícios em minha vida, comecei, com uma irmã, a Páleo in Box. A ideia era fornecer comida de verdade em marmitas para facilitar a vida das pessoas que queriam seguir um estilo de alimentação mais reduzido em carboidratos, com alimentos de qualidade.

A ideia inicial da Páleo in Box incluía a venda de kits de alimentação, bem como a entrega a domicílio de marmitas páleo.
Naquele momento, ainda não havia um mercado forte de praticantes da dieta páleo ou mesmo de outras dietas low carb, a exemplo de Dukan e Atkins – alguns dos poucos
 praticantes de dietas low carb na época ainda hoje acham que a Páleo in Box vende marmitas, mas não vendemos mais não.

Deste modo, após cerca de 5 meses de funcionamento, interrompemos o fornecimento de comida.

Na época, escrevi:

A Paleo in Box nunca foi pensada, por mim, como uma empresa para “vender comida”. Sempre quis que a Páleo in Box fosse prioritariamente um canal de disseminação de informações sobre a dieta, um lugar que auxiliasse as pessoas na busca por maiores informações sobre o que comemos e, talvez de modo secundário, um facilitador de vida para os seguidores da dieta, ao fornecer soluções de alimentação prática. Em certa medida, alcançamos esses objetivos. Acredito que por meio destas postagens e deste trabalho, consegui fazer com que mais pessoas viessem a conhecer a dieta e melhorar sua qualidade de vida.
Uma reformulação nas entregas pode ser o ponto de partida para que eu possa transformar o negócio naquilo que eu sempre quis que ele fosse:
um meio de auxiliar pessoas a lidar com problemas de excesso de peso. Problemas que eu mesmo vivi durante toda a minha vida e que só consegui equacionar agora, depois dos 30 anos de idade, com a dieta paleo.

Essas mesmas questões me fizeram retomar a Páleo in Box agora, em 2017.

Porque o que começou como a busca para solucionar um problema individual acabou se mostrando uma jornada pra compreender que vivemos, hoje, um problema coletivo.

Eu achava que minha casa estava pegando fogo, mas, ao olhar pela janela, vi que o mundo inteiro estava em chamas.

Era preciso fazer algo.
E eu estou tentando fazer.